Passo 4: Investir 15%
Efeito de Capitalização - A 8ª Maravilha do Mundo
TLDR: Invistam, o que for, no produto que quiserem, mas invistam, todos os meses, sem falha.
Efeito Capitalização
Albert Einstein falou do Efeito de Capitalização - a capacidade do dinheiro investido gerar dinheiro que gera ainda mais dinheiro - como a 8ª maravilha do mundo.
Popularmente conhecido como o juro composto, quando aplicamos o dinheiro de forma produtiva, e reinvestimos os lucros, continuamente, o resultado é de facto maravilhoso.
O curioso é que o ser humano não consegue pensar de uma forma exponencial. Temos uma expectativa que os nossos investimentos tenham um crescimento rápido logo no primeiro dia e que mantenham esse ritmo. E quando não vimos de imediato um retorno positivo, desistimos.
Mas no mundo dos investimentos o melhor fica para o fim, são os últimos anos em que os retornos se tornam exponenciais:
Começar cedo
Os que começam cedo têm uma vantagem - o tempo tem um impacto desproporcional na capacidade de gerar retorno.
Por exemplo, alguém que comece a trabalhar com 22 anos, invista de forma conservadora num índice que acompanha o SP500 e re-investe os dividendos, precisa de €100 investidos por mês para se reformar com €1M aos 65.
Mas, para alguém que começa aos 30 precisa de €320 investidos todos os meses para conseguir o mesmo resultado.
Começar tarde
Só porque quem começa cedo tem uma vantagem, não significa que se possa usar a idade como uma desculpa para fazer nada.
É muito melhor começar hoje, investir o que conseguimos, e chegar à reforma com um reforço, do que com €0 investido. As reformas não estão desenhadas para nos garantirem o estilo de vida que temos hoje quando estamos a trabalhar a tempo inteiro.
Por isso, nunca é tarde para investir, para quando chegarmos à reforma garantirmos que mantemos o nosso estilo de vida.
Porquê 15%?
(Todos os cálculos presumem retorno médio do SP500 dos últimos 30 anos)
Há vários influencers da literária financeira, incluindo os que eu sigo, como os Money Guy que recomendam 25% investido todos os meses. Acho que para muitos isto é pouco realista, especialmente com o peso da habitação no orçamento familiar hoje em dia.
Com um salario medio acima dos €1600, os 15% garante que a maioria das pessoas investe €250 por mês ou mais. O que na média (começar pelo menos com 35) leva a um portfólio de investimento na reforma superior €500.000, o que se resulta em €20.000 por ano na reforma, praticamente o salário médio.
Todos os objectivos para serem úteis têm de ser específicos e realistas. Não estou a sugerir, 12%, 13% ou %14%, mas sim especificamente 15%. Quando os objectivos não são específicos há uma maior tendência de abandonarmos o objectivo com o passar do tempo.
Eu fiz as contas e tenho o suficiente investido
O movimento do FIRE (Financial Independence Retire Early) já tem vários spinoffs, um dos quais é o COAST FIRE quando atingimos um valor total investido, que sem mais 1€ investido consegue através do efeito de capitalização chegar ao nosso valor objectivo na reforma.
Chegar ao COAST fire não é fácil, mas há quem o consigo fazer. Alguns levam o desafio de tal forma que se forçam a poupar 40%, 50%, 60% do salário todos os meses durante os primeiros anos de carreira. Para outros é porque ganharam uma comissão significativa num projecto, ou até porque têm uma herança inesperada. Em qualquer um dos casos, há um momento em que surge a dúvida: posso parar de investir?
Na minha opinião: não.
Nenhum de nós consegue prever o futuro, apenas podemos controlar o que fazemos hoje. A disciplina de investir todos os meses não é só sobre o investimento, é também porque nos obriga a tomarmos decisões conscientes sobre o nosso consumo, e a saber valorizar o que é importante e não consumir desenfreadamente.
Claro, que para quem atingir o seu número de COAST Fire, em vez de pouparem 40% por mês faz sentido reduzir para os 15%, e aproveitar a margem para melhorar a qualidade de vida, ou investir em experiências. Mas parar totalmente de investir a meu ver é perder disciplina e perder uma oportunidade.
Se ainda estamos a trabalhar, e por isso conseguimos investir os 15%, há sempre a possibilidade por passarmos por um período de tempo em que o mercado está mais barato, e por isso fazemos os melhores investimentos da nossa vida, automaticamente.
Como escolher um produto de investimento?
Eu não vendo produtos financeiros, nem quero. O que vou partilhar é apenas uma ferramenta que pode ser útil para avaliaram que produto faz mais para vocês.
Impostos - Minimizar sempre os impostos a pagar, para maximizarem o efeito de capitalização.
Se nunca venderem uma ação, ETF, crypto, todo o crescimento é isento de imposto. O imposto só é devido no acto da venda, e sobre uma parcela do lucro.
O imposto sobre mais valias é de 28% sobre o lucro - ou seja quando chegamos à idade da reforma não se vende o portfólio todo, mas sim, a cada ano, vender a parcela que é preciso para cobrir custos de vida, assim minimiza-se o valor do imposto a pagar esse ano.
Escolher produtos que auto re-investem os dividendos e outros ganhos, é uma forma de minimizar os lucros a pagar - por exemplo PPRs e ETFs acumuladores.
Existem outras formas de reduzir o imposto a pagar, mas para isso falem com um contabilista.
PPR
Os PPR têm regras próprias, que não se aplicam a outros produtos financeiros, como por exemplo se não venderem durante 8 anos, o imposto sobre os lucros é apenas 8,6%
Infelizmente os rendimentos dos PPRs sao inferiores ao dos indices que acompanham as maiores bolsas do mundo ( isto está a mudar), mas o facto de ser um produto que recompensa a disciplina, e limita as condições de resgate, é um produto com muitas vantagens.
Para muitos investidores, o maior problema é não terem disciplina, e venderem os investimentos muitos anos antes da reforma. Esta interrupção desnecessária custa milhares de euros aos investidores, e o PPR com as suas restrições é uma excelente defesa contra a tentação.
Contas pessoas de investimento
As ferramentas como a Degiro, e-Toro e outras tornaram os mercados acessíveis a todos diretamente na palma da mão. Esta oportunidade é de se aproveitar, não há desculpa como havia há 20 anos de ser difícil investir.
O difícil hoje em dia é escolher produtos, mas aqui diria para simplificar tudo. A recomendação de Warren Buffet e Charlie Munger, os melhores investidores de todos os tempos, comprar os índices dos maiores mercados do mundo.
A isto acrescento escolher os ETFs que são auto acumuladores - reinvestem os dividendos no próprio ETF. Isto minimiza os impostos a pagar todos os anos.
Disciplina, disciplina, disciplina
Disciplina 1: Investir todos os meses. Estas aplicações permitem automatizar o investimento mensal - usem!
Disciplina 2: Não vender - Se tiverem cumprido com os passos 1-4, não há motivo para vender um investimento.
Disciplina 3: Não vender - Se o mercado cair, não vendam.
Disciplina 3: Não vender - O tempo é o vosso melhor amigo.
Investir no negócio de um amigo
Não. Pequenos negócios e negócios de amigos são muito mais arriscados e fontes de grandes complicações. Investir num negócio destes não conta para o objectivo do passo 4.
Se quiserem investir no negócio de um amigo, ou até em imobiliário (não estou a falar de habitação própria permanente) há espaço para isso no passo 5.



