Passo 2: Eliminar o Crédito ao Consumo
A liberdade financeira começa aqui
Liberdade Financeira
A maior motivação que encontro para seguir O Plano Essencial Financeiro é alcançar a liberdade financeira. Existem vários níveis de liberdade financeira, sendo que o nível mais avançado é o da liberdade financeira total - onde não dependemos do nosso salário para pagar as nossas despesas - mas não é o nível mais importante.
O primeiro nível de liberdade financeira é para mim, de longe, o mais importante: quando não devemos dinheiro a ninguém (excepto a nossa hipoteca), temos um maior controlo sobre a nossa vida - e esse controlo é liberdade.
Quando deixamos de ter vários pagamentos automáticos a saírem da nossa conta todos os meses - em que muito do valor desses pagamentos são juros - passamos a ter liberdade para usar o nosso dinheiro de uma forma diferente, ou para nos comprar tempo. Tempo = Liberdade.
Para os que não gostam do emprego que têm, quando acabam as dívidas, torna-se muito mais fácil despedirem-se. Porquê? Sem a pressão de cumprir com os pagamentos aos bancos todos os meses, passamos a ter uma maior margem para pagar as contas essenciais - comida, eletricidade, casa, escolas, etc. E com menos pressão para pagar contas, torna-se muito mais fácil procurar e arriscar um emprego novo.
Cartões de crédito
Quando falamos em eliminar o crédito ao consumo, o primeiro e mais importante crédito a pagar é o do cartão de crédito.
“Mas Francisco, e os pontos e benefícios que recebo do meu cartão?” Já consigo ouvir os comentários.
Resposta Fácil: Se não consegues saldar o teu cartão no final do mês - se de mês para mês o teu balanço vai aumentando e com isso os juros a pagar - esses pontos são os pontos mais caros da tua vida.
Umas contas de mercieiro: os cartões de crédito dão aos seus utilizadores em benefícios perto de 1% de retorno (pelas minhas contas) por ano. Mas os cartões de crédito cobram juros acima de 15% por ano. Acho que é fácil perceber que a dívida com cartões de crédito não compensa. E não se esqueçam, que se não pagarem os juros, isso também acumula no vosso balanço em dívida, e passam a pagar juros sob os juros…
Eu quero que este Substack seja livre de hipocrisia, por isso partilho que tenho um cartão de crédito. Os meus pontos, são milhas bónus da TAP. Mas partilho também que todos os meses o saldo do meu cartão é pago na totalidade, e por isso não pago juros.
Uso principalmente o cartão para pagar viagens que faço em trabalho, que me são reembolsadas no próprio mês, e assim nunca fico com valores em dívida. E neste caso, sim, os pontos compensam, porque não paguei por eles.
Para quem usa o cartão, a pergunta é simples: o saldo fica pago por inteiro todos os meses?
Sim = Podes continuar a usar um cartão de crédito.
Não = Para imediatamente. A tua prioridade é pagar o balanço o mais rapidamente possível antes que o juro composto fique descontrolado.
Consumo por impulso
Os sites de comércio online estão altamente optimizados desde a sua criação no final dos anos 90. Estamos longe do checkout que apenas aceita PayPal. A realidade, hoje, é que efectuar uma compra online quase nem percebemos o dinheiro que gastamos.
A experiência em si está de tal forma optimizada, que em muitos sites conseguimos completar a compra sem ter de preencher formulários e introduzir informação de entrega ou número de cartão de crédito. Os nossos sites preferidos têm as nossas informações gravadas, e já não existe fricção no processo de compra - e assim consumimos mais.
E para os que não têm hoje dinheiro suficiente para pagar, não tem problema - compre hoje pague mais tarde. Empresas como a Klarna tornam fácil completar uma compra sem ter dinheiro. Pagar vem mais tarde, fracionado, para que o esforço financeiro seja menor.
Mas não é. Os pagamentos fracionados normalmente incluem juros, e o total a pagar acaba por ser superior ao valor da compra - isto aumenta o esforço financeiro.
“Como, Francisco? Eles oferecem três pagamentos sem juros.” Simples - só não pagas juros quando pagas a tempo. Mas se já é difícil ter dinheiro para esta compra - como comprovado por precisares de utilizar uma empresa como a Klarna, o que te leva a pensar que vai ser fácil realizar o pagamento mensal?
Quem não realizar o pagamento está sujeito a taxas de juro acima dos 10%, ou seja, a realidade destes serviços de comprar hoje e pagar mais tarde é muito parecida à do cartão de crédito - quando não pagamos o que devemos tem a capacidade de destruir a nossa vida financeira.
O método da bola de neve
Para muitos dos entendidos do movimento antidívida, como os da Ramsey Solutions nos Estados Unidos, este é o método recomendado. O método da bola de neve é aquele em que primeiro se paga a dívida mais pequena. Depois com o dinheiro que se libertou mensalmente, paga-se a próxima dívida, como uma bola de neve que vai crescendo, até se pagar a maior dívida (sem contar com o crédito hipotecário) e viver-se livre de dívidas.
Apesar de matematicamente fazer mais sentido pagar a maior dívida primeiro, há evidências de que o método da bola de neve tem melhores resultados, porque quem o segue vê um impacto imediato do pagamento das dívidas e consegue manter-se disciplinado durante mais tempo.
Para os curiosos (ou que duvidam do que escrevo), fica aqui o link da Ramsey Solutions
Vou começar hoje! E agora?
As aplicações móveis dos bancos avançaram muito nos últimos anos e é possível e fácil fazer pagamentos antecipados de créditos através do vosso telemóvel. Basta abrir app do vosso banco, seguir à secção de crédito pessoal, selecionar o crédito e seguir as instruções de amortização antecipada.
Podem-no fazer em qualquer momento, não existem restrições nem penalizações. Quando se faz um pagamento antecipado de crédito, é cobrada uma taxa de juro tabelada sobre o montante de dívida que foi amortizada, mas não é uma penalização. Por exemplo, com empréstimos que têm uma taxa fixa, esse juro é 2%. Sobre este valor é cobrado o imposto de selo no valor de 0,5%, que faz um total de 2,01%, pago sobre o valor amortizado antecipadamente.
Este juro é pago uma vez sobre o montante em dívida a ser amortizado no momento. Ao contrário da dívida remanescente, sob a qual, todos os anos têm de pagar juros. Dito de outra forma, é melhor pagar hoje 2,01% uma vez, do que ficar cinco anos a pagar 7%,8%,9%+ todos os anos.
Se por algum motivo o banco ou instituição de crédito não tiver esta funcionalidade disponível, liguem para o banco, dirigam-se ao balcão, e todos os meses façam o pagamento antecipado, com o valor que conseguirem.
“Só tenho €50 no final do mês para pagamentos antecipados”
Como em praticamente tudo financeiro, a frequência e disciplina são quase sempre mais importantes que o montante.
(Num post diferente vou partilhar o impacto de começar cedo a investir, mesmo montantes como €50 por mês. Spoiler alert - pode transformar uma vida.)
Quando amortizamos €50 antecipadamente, não estamos só a reduzir o montante restante da dívida em €50, estamos também a baixar a prestação seguinte. Ou seja, no mês seguinte muito possivelmente temos €52 disponíveis para pagamentos antecipados. No mês seguinte, €55, e no seguinte €60, depois €70… até a dívida estar paga.
O mais importante de tudo é garantir que, todos os meses, temos a disciplina de gastar menos do que recebemos (como referido no Passo 1) e, com o remanescente, pagarmos antecipadamente a nossa dívida, antes de aumentarmos o nosso estilo de vida ou fazermos investimentos.


