Passo 1: Poupar €1000
Acabar com os maus hábitos, começar uma nova vida financeira.
Ter €1000 poupados pode parecer um número aleatório, mas não é. A Eurostat (o INE da União Europeia ) reporta que em Portugal uma despesa inesperada superior a €550 seria um desafio para a média dos portugueses.
O objectivo é ter o suficiente para enfrentar estes desafios e sobrar. Porque todos temos a experiência de que quando uma coisa corre mal, o azar nunca vem só. E o que quero é que estejas preparado, que mesmo que se fure um pneu, ou se estrague a máquina de lavar roupa, não tenhas de recorrer a um empréstimo ao consumo, ou pior, usar o cartão de crédito.
Visto pela positiva, metade dos americanos não tem €1000 poupados - por isso quem conseguir completar o primeiro passo - mesmo recebendo salários portugueses - estará melhor que metade dos americanos - que trabalham na dita economia mais avançada do mundo.
Como é que se poupam €1000?
É mais difícil do que parece. Para quem passou anos de vida a gastar mais do que recebe, é como ir ao ginásio em janeiro pela primeira vez. Só porque temos o objectivo de ser saudáveis, e de facto é simples ir ao ginásio, não significa que vamos criar o hábito necessário para nos tornarmos fit. Alias, muitos abandonam o ginásio poucos meses depois.
Gastar menos do que recebemos, mês a mês, é igual. Não é suficiente começarmos em Janeiro, e em Abril voltarmos a gastar todo o dinheiro que recebemos todos os meses. É por isso que este passo é possivelmente o mais importante de todos - o hábito que criamos neste passo vai ser essencial nos próximos passos. O hábito que estamos a desenvolver é o de disciplina financeira - estamos a trabalhar um músculo pouco trabalhado, e no início vai doer.
Falando de forma prática, chegar aos primeiros €1000 poupados é sobre gastar menos do recebemos, mês após mês, até atingirmos este objectivo. Sim, simples sei. Mas é mais fácil de eu escrever do que fazer.
Pensem nisto como uma fórmula de duas partes, em que a receita tem de ser maior que o gasto: receita > gasto. Ou se aumenta a receita, ou se reduzem os gastos.
Saber o que gastamos e redução de gastos
Aumentar a receita nem sempre é algo que podemos controlar. Muitas profissões têm tabelas de progressão salarial pré-definidas. Mas quem controla os gastos somos nós.
Para conseguirmos controlar os nossos gastos, primeiro temos de saber quanto gastamos, por categoria cada mês. Eu sei que mais uma vez estou a escrever o óbvio, mas é para mim chocante descobrir a quantidade de pessoas que não fazem ideia. Vêm o salário a entrar, e vão consumindo até a conta chegar a €0. E muitas vezes não se ficam por aí.
Quando digo saber quanto gastamos, estou a falar de registar, seja em papel, no Excel ou até numa aplicação, todos os gastos (água, eletricidade, gás, comida, roupa, diversão, etc.), e aprender qual o nosso padrão = em média por mês quanto gastamos por categoria.
Só quando sabemos o que gastamos é que podemos definir um plano para reduzir os nossos custos. É muito pouco provável que seja possível realizar grandes reduções nos custos com água, eletricidade, gás ou renda, mas em categorias como comida e roupa temos maior margem.
Não estou a dizer para nunca comprarem roupa nova, ou irem jantar fora. Há que viver, e cada um de nós tem a sua categoria de gastos por diversão. Mas quando não temos €1000 poupados e temos dívidas (empréstimos pessoais e cartões de crédito) por pagar, agora é o momento para cortar.
Temporariamente, até conseguirem poupar os vossos primeiros €1000 ( e eventualmente pagarem dívidas ao consumo) encontrem categorias onde fazem um esforço para reduzirem gastos.
Aumentar Receita
Para os que têm a disponibilidade de tempo (menos realista para quem tem filhos ou dependentes) e energia (desafiante para muitos que já trabalham 50-60 horas por semana), trabalhem horas extras pagas. Este é o momento para aceitar projectos extra, ou aumentar as responsabilidades no trabalho. É duro, custa no curto prazo, mas é temporário.
E como vai custar, lembrem-se do vosso porquê. Este esforço é o que vos vai permitir criar um pequeno pé de meia para terem alguma segurança quando alguma coisa correr mal. Mas depois será para pagarem as dívidas que vos impedem de viver a vossa melhor vida - as dívidas que vos mantêm em trabalhos que odeiam, e sem poderem investir tempo e dinheiro nos vossos sonhos.
Se trabalhar horas extras pagas no vosso emprego não for opção, mas tiveres energia para trabalhar mais, considerem trabalhos part-time ou por conta própria (TVDE, entrega de comida) onde consigam controlar as horas extras e ter rendimento que vá para além dos vossos gastos.
A Escolha
Pessoalmente eu procurei trabalhar horas extras pagas enquanto tive energia (depois nasceram os meus três filhos), mas como sabia que isso ia ser temporário, controlar os meus gastos (usando uma aplicação e uma folha Excel) foi sempre uma prioridade minha.
Mas cada pessoa tem uma escolha a fazer - trabalhar mais ou gastar menos? Não posso escolher por ti, mas sei que seja qual escolha fizeres, se não desistires do ginásio financeiro, vai compensar.


