Parabéns! Chegar ao passo 5 só é possível porque és um mestre em gastar menos do que ganhas, investes antes de gastares, e sabes claramente qual o teu porquê de aqui chegar.
Este passo é o mais criativo do plano essencial financeiro - é aquele onde as possibilidades são apenas limitadas pela tua imaginação. Aqui temos de escolher onde é que o nosso dinheiro pode ter um maior impacto, ir ao encontro da nossa motivação e atingir a liberdade financeira pelo caminho.
Eu vou partilhar várias opções, e quanto maior conseguirem tornar o vosso fundo de maneio no passo 5 maior serão as vossas possibilidades.
Liberdade Financeira
Vou começar pela opção que está mais na moda, e que possivelmente motivou a maioria dos leitores a lerem este substack: Liberdade Financeira.
Chegar ao passo 5 não significa que atingimos a liberdade financeira total, mas é certamente onde a conseguimos conquistar, se assim o entendermos.
Falo aqui de FIRE - Financial Independence Retire Early - ou como eu prefiro pensar FINE - Financial Independence Next Endeavour - onde os nossos investimentos têm um rendimento superior ao nosso salário. A partir do momento em que isto se torna verdade, podemo-nos considerar financeiramente livres, pois tecnicamente não precisamos de voltar a trabalhar.
Quando temos 6 meses de despesas poupadas garantimos a liberdade de sobreviver a um evento inesperado, ou de deixarmos um emprego que não gostamos. Quando investimos 15% todos os meses garantimos uma reforma digna sem perda de qualidade de vida.
Mas no passo 5 conseguimos aumentar o nosso valor investido até onde conseguirmos esticar a nossa margem todos os meses. Há quem consiga, 20, 30, 40% poupado todos os meses, e quando chegam aos 45/50 anos têm o suficiente para se “reformarem” antecipadamente.
Aplico as aspas, porque acredito que quem tem a disciplina para chegar aqui, tem energia que sobra, e vai querer aplicar essa energia de uma forma produtiva - next endeavour.
40:60
Quando chegamos ao passo 5 muito provavelmente não conseguimos aumentar de imediato o nosso ritmo de investimento. Isto vem com o tempo, com a progressão profissional, e salarial.
É fácil cair na tentação, quando temos um aumento, ou até quando recebemos um bónus, de aplicar 100% do valor a melhorar a nossa qualidade de vida. Não estou aqui para dizer que isso não faz sentido, mas sim para oferecer um modelo alternativo:
40% aplicado a melhorar a qualidade de vida
60% aplicado a investir mais ou a aumentar a generosidade mensal
Generosidade
A cultura de apoiar as instituições sem fins lucrativos que muito trabalho fazem pelos que mais precisam é precária em Portugal. Não temos a cultura dos países Anglo-Saxónicos de apoiar com expressão e regularmente causas sem fins lucrativos.
Digo infelizmente porque existem várias instituições que fazem trabalho de verdadeiro e tangível impacto nas comunidades que servem, e que se nós tivéssemos uma cultura de as apoiar, elas não teriam as dificuldades de financiamento que têm.
Fica aqui um desafio: Escolham primeiro a generosidade. Não significa que toda a margem tem de servir uma causa em que acreditam, mas encontrem espaço para que a generosidade faça parte do vosso dia a dia.
Para os que precisam de argumentos racionais a favor desta decisão, ficam os seguintes:
Saberem que o vosso trabalho serve muito mais do que a empresa onde trabalham - melhorar o mundo à vossa volta só porque sim.
Uma oportunidade para minimizar impostos pagos:
Em nome individual, 25% do valor doado é redutível no IRS - precisam apenas de ter faturas dos donativos e de preencher o IRS
As empresas podem, até 1% do valor das receitas, doar a instituições de solidariedade, e depois majorar 140% do valor em IRC
Uma vez criado o hábito da generosidade, este vai durar e dar um maior significado ao nosso trabalho.
Pagar uma hipoteca antecipadamente
O meu porquê é todo sobre liberdade e segurança. A liberdade de escolher como trabalho e como quem, e segurança para mim é conseguir garantir à minha familia a qualidade de vida que temos hoje, sempre. Garantir a casa onde vivemos, é para mim o maior motivador, saber que temos sempre a nossa casa, aconteça o que acontecer.
Matematicamente nem sempre faz sentido pagar antecipadamente uma hipoteca. A versão simplificada desta lógica é que se pagarmos hoje antecipadamente a hipoteca, o retorno é apenas a poupança da taxa de juro que paramos de pagar. Se essa taxa de juro for 5%, e o mercado tiver um retorno médio (que no longo prazo tem sido essa a tendência) de 8%, então investir no mercado é a decisão certa porque 8%>5%.
Psicologicamente penso que a matemática é diferente. Quando a hipoteca = €0, significa que não há risco de ficar sem uma casa. Significa dormir melhor à noite e ter uma maior escolha de como vivemos a nossa vida. Se isso não é um multiplicador da felicidade e da produtividade, então não sei fazer matemática.
Para quem tem taxa variável e está sujeito às flutuações dos mercados, o risco é ainda maior, como vimos esta década com as subidas generalizadas das taxas de juro. Eu prefiro saber que o sitio onde durmo não está sujeito às vontades de mercados sobre os quais tenho zero controlo.
Depois, uma vez paga a hipoteca, esse dinheiro pode ser investido todos os meses. É matematicamente menos eficiente, mas psicologicamente superior.
Outras opções
Lançar um negócio
Pros: Potencial transformador do património liquido de uma familia
Contras: Risco de falhar - mas quando feito no passo 5, sem utilizar o capital poupado/investido do passo 1-4, o risco é limitado
Poupar antecipadamente para os estudos de um dependente
Pros: Criador de oportunidades para futuras gerações
Contras: Abdicar de viver experiências importantes com a familia hoje
Construir uma casa de sonho
Pros: A casa onde a família se encontra durante muitos anos para celebrar os maiores e melhores momentos
Contras: Construção tem vários desafios, leva tempo, e muitas vezes é mais caro do que se pensa
As férias de sonho
Pros: Para os que muito sacrificaram para chegar ao passo 5, pode ser tempo de descansar e recuperar - é merecido.
Contras: Se não utilizarem as poupanças, nem se endividarem, acho que tem poucos contras…
Estas são apenas algumas das outras opções que consigo facilmente imaginar para quem chegou ao passo 5. Cada uma tem um potencial impacto diferente da outra, e diria que a escolha é mesmo individual, e depende inteiramente do nosso porquê.


